Espaços em transformação
Sempre de olho nas mudanças de comportamento da sociedade, construtoras e incorporadoras buscam atender aos novos formatos e hábitos das famílias.
Conheça as sete apostas dos novos empreendimentos.
Nessas três décadas de existência de Casa Claudia, Várias transformações estimularam novos modos de vida. A consolidação do Brasil como um país urbano , cuja maior parte da população habita as grandes cidades, por exemplo, fez com que crescesse, e muito, a opção, de morar em apartamentos.
Questões mais recentes, como as dificuldades de deslocamento e a preocupação com a segurança, levam a população das metropoles a um estilo de vida cada vez mais introspectivo – uma espécie de “retorno ao aconchego”, nas palavras da filósofa Viviane Moisé.
A Casa passa a concentrar grande parte das atividades dos moradores, desde o lazer até o trabalho. Mas como reunir tantas funções no espaço cada vez mais reduzido dos apartamentos? A solução parece estar na infra-estrutura dos condomínios, que hoje aliam equipamentos destinados ao lazer, bem-estar e trabalho.
A configuração das moradias permanece inalterada, mantendo a tradicional divisão entre os setores social, íntimo e serviços. Porém mudanças significativas têm acontecido dentro de cada uma dessas três esferas, refletindo as necessidades atuais.
Nas áreas sociais, por exemplo, os apartamentos estão ganhando ares de casa. Com essa intenção, os projetos passam a incluir varandas amplas, áreas de estar generosas e integradas, pé-direito elevado e, em alguns casos, até mezanino. A chave para conseguir um clima de casa terrea está na integração dos ambientes, seja ela horizontal, seja vertical, no caso do pé-direito duplo. No setor íntimo, o que se vê são dormitórios bastante enxutos(com exceção da suíte master), já que o foco se volta para as áreas sociais e a valorização do convívio familiar.
Mas as principais mudanças físicas nos novos empreendimentos não ficam por aí. Alguns edifícios levam em consideração aspectos regionais e culturais. Uma construtora, por exemplo lançou recentemente edifíios similares nas zona leste e sul de são Paulo com uma diferença básica: o tamanho da cozinha. Explica-se: neste caso, os apartamentos lançados na Móoca, um tradicional bairro da zona leste, possuíam uma cozinha maior para corresponder aos hábitos dos descendentes italianos que habitam a região.
1- Aumento das áreas sociais
Por diversas razões, dentre as quais o trânsito e a violência, as pessoas se voltam cada vez mais para sua casa, um fenômeno que ficou conhecido como “efeito cocooning” (em ingles, cocoon quer dizer “casulo”). É da própria residência que as pessoas interagem com o mundo, física ou virtualmente. Se, por um lado, o superequipamento da casa contribui para um certo isolamento (home theaters e afins substituem a ida ao cinema, por exemplo), por outro, a casa também se transforma em ponto de encontro, lugar para receber os amigos para jantar, assistir a um filme ou simplesmente conversar.
Assim, os espaços sociais da residência assumem o papel de destaque e têm sua area ampliada – mesmo que a area total dos apartamentos seja cada vez menor. Além da ampliação, há a integração desses ambientes – estar, jantar e home theater – em um espaço único, multiúso, de forma a potencializar o convívio. “É muito mais agradável ter um apartamento com uma sala gostosa e quarto menores”. Defende a arquiteta Débora Aguiar.
Essa opinião é comprovada na prática: “ Em 85% dos nossos empreendimentos com quarto dormitorios e até 180m2 de area privativa, os proprietários abrem o quarto dormitório para a sala para ter um espaço mais amplo, com home theater integrado”, revela Ubirajara Freitas.
2 – Áreas comuns ganham força
Motivados pelo efeito cocooning – e também como um reflexo da redução nas areas dos apartamento - , os incorporadores fortaleceram a estrutura de lazer e serviços dos empreendimentos. Piscina coberta e aquecida, spa com sauna e ofurô, fitness, sala de cinema, salão de jogos, espaço zen, salão de festas adulto e infantile, sala para atividades manuais, sala para recreação, lan house, technolounge e garage band são opções oferecidas. Nos condomínios maiores, essa estrutura chega a incluir serviços como salão de beleza, child care (berçário e escolinha) e pet care (misto de clínica veterinária e hotel).
“São verdadeiros clubes, mas com o conforto de não precisar sair de casa, além de toda a segurança que o ambiente proporciona”, diz Odair Senra, diretor de incorporação da Gafisa.
3 – Amplitude vertical
Os pés-diretos elevados – duplos, muitas vezes – são utilizados para reforçar a sensação de amplitude das áreas de estar e, como a sacada, emprestam um jeito de casa ao apartamento. “O espaço horizontal é importante, mas, quando se consegue também um espaço vertical generoso, aí é fantástico”, afirma o arquiteto Roberto Candusso, cujo escritório realiza projetos residenciais para empreendimentos em diversas regiões do Brasil. A novidade, nesse caso, ee que a proposta do living com pé-direito duplo deixou de ser restrita aos imóveis do tipo dúplex para integrar apartamentos de um só piso, tornando acessível a um público mais amplo.
A organização das unidades de forma escalonada permite que apartamentos menores também possam dispor desse recurso. “Hoje conseguimos fazer apartamentos com pé-direito duplo até em prédios com quatro unidades por andar, o que tornou o preço mas viável. A aceitação é excelente”. Arremata.
Living com pé-direito duplo e mezanino confere uma atmosfera de casa aos apartamentos do Flórida Penthouses(Company/TishmanSpeyer) projeto Arquitetônico de Roberto Candusso e decoração de Patricia Anastassiadis
4 – Apartamento com Quintal
Nos últimos anos, as pequenas sacadas – que funcionavam quase que exclusivamente como ornamento do edíficio – deram lugar a varandas generosas, utilizadas de duas formas: como continuação do ambiente de estar ou como espaço gourmet, equipado com churrasqueira, cooktop e até mesmo forno de pizza. A arquiteta Debora aponta, ainda, outro uso possível: o cantinho para ginástica.“ É como se a varanda fosse um quintal do apartamento”, analisa Silvia Aguiar, gerente de desenvolvimento de produto da Setin Empreendimentos Imobiliários. A difusão dessas varandas é bastante recente. “Antes, os terraços de grande porte eram restritos aos empreendimentos de altissimo padrão e hoje estão presentes em quase todos os produtos voltados para as classes média e média alta”, afirma Ubirajara Freitas, diretor de incorporações da Cyrela, construtora que atua em seis estados do Brasil, do Rio Grande do Sula à Bahia. “As varandas amplas vieram pra ficar, pois a aceitação é muito grande”, completa Freitas.
O terraço Collina Parque dos Príncipes (Setin) combina área de estar e churrasqueira.
5 – Suíte Master revigorada
Se o tamanho dos quartos vem diminuindo para ceder espaço à área social, a suite master não obedece a essa regra – principalmente nos apartamentos acima de 200m2. Sua área cresceu para incorporar espaço de leitura, home office ou até mesma a velha penteadera. Tornou-se comum a oferta de closets independentes para o homem e a mulher, assim como a de banheiros individuais, os quais normalmente podem ser unidos para dar origem a uma sala de banho. A escolha fica a critério do casal, que pode optar pela praticidade (dois banheiros) ou pelo hendonismo (sala de banho).
6 – Home Office (Real ou Virtual)
O trabalho em casa é uma tendência que vem se fortalecendo há alguns anos graças à internet e a outras formas de comunicação a distância.
O tamanho e a importância do espaço podem variar conforme a intensidade do uso – o escritório de alguém que trabalha o dia todo em casa provavelmente sera maior do que o de quem o utiliza apenas em alguns momentos do dia, como ponto de apoio. A preocupação com esse espaço é uma constante nos empreendimentos atuais e alguns lançamentos já oferecem o escritório virtual, uma estrutura para moradores receberem seus clientes, com salas mobiliadas e serviços como fax, telefone e internet, além de salas de videoconferência e reunião.
Uma iniciativa que deve ganhar espaço é a dos empreendimentos do tipo mixed use, que combinam escritório e apartamento no mesmo endereço, mas em torres distintas. “Isso cria racionalidade para você morar, trabalhar, se divertir, sem ter a necessidade de se locomover de um ponto a outro. Acredito que nos próximos anos o mixed use se tornará comum, principalmente em São Paulo”, afirma Rogério Santos. E sintetiza: “As pessoas querem mais tempo para as coisas prazerosas, como receber pessoas em casa, assistir a filmes, etc. Essa é a grande demanda.”
7 – Plantas Flexíveis
Atualmente, a disposição dos cômodos nos edíficios é planejada para possibilitar a flexibilização da planta. Grande parte dos lançamentos já propõe, inclusive, as diferentes possibilidades ao morador: são as chamadas planta-opção. Nelas, é possível eliminar um quarto para ampliar o estar, transformar o quarto de empregada em home office, ampliar o closet da suite master e integrar banheiros para criar salas de banho, entre outras opções. “Antes valorizávamos a existência de quatro suites. Hoje, essa quarta suite perdeu a importância e 90% das pessoas dão outro destino a esse espaço: ampliam o living ou fazem outra area de convivência, como sala íntima ou home theater”, informa Rogerio Santos, diretor de planejamento e marketing Abyara Planejamento Imobiliário.
Mas a reversibilidade dos cômodos não se restringe aos apartamentos maiores. A opção de integrar um dormitório ao living, por exemplo, também aparecem com frequência em apartamentos de dois quartos.