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    <title>BLOG</title>
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    <description>Bem-vindos ao meu Blog-Impressões Sonoras: Reflexões sobre música, cinema e política aos olhos de um brasiliense nascido em 66. </description>
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      <title>Legião Urbana&#13;Ao Vivo no Teatro da ABO - Abril de 1983</title>
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      <pubDate>Thu, 23 Aug 2007 19:50:15 -0300</pubDate>
      <description>Noite do dia 15 de abril de 1983. L2 Sul. Quadra 616. Quase meia noite. Cerca de 50 pessoas aguardam a abertura da porta do Auditório da Associação Brasileira de Odontologia. Alguns garotos com roupas rasgadas e meninas de visual diferente olham com cara blasé os cabeludos tradicionais. Começava ali a ganhar corpo o rock brasiliense da década de 80 que iria sacudir o país dois anos depois. Era a Temporada de Rock, a primeira iniciativa conjunta de cinco grupos seminais da cidade: Banda 69, Plebe Rude, &lt;a href=&quot;http://rapidshare.de/files/32032369/LegiaoABO.zip&quot;&gt;Legião Urbana&lt;/a&gt;, XXX e Capital Inicial.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Durante três finais de semana, a sortuda molecada que botou os pés na ABO teve a oportunidade de presenciar o nascimento de lendas do rock nacional. Foi neste pequeno palco que Dado Villa Lobos estreou na Legião Urbana. E que Dinho Ouro Preto ganhou confiança para cantar, embora não tenha participado do show. Ficou na mesa de som, assistindo à performance de sua futura banda, que tinha como vocalista a gostosa Heloísa, estudante de arquitetura da UnB e amiga dos irmãos Lemos. O espetáculo foi produzido pela Candango Produções Artísticas e foi um evento de fôlego, começando no dia 15 e terminando no dia 30. Pode parecer incrível, mas a cada noite, não mais que cem pessoas foram assistir aos shows.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A abertura do dia 15 ficou por conta da Banda 69, formada por Marcelo Carvalho, Murilo Carvalho, Rodrigo Lopes e Militão Ricardo. Os quatro se conheceram no Colégio Dom Bosco, durante um festival de música. Dividiam a fissura pelos Beatles e logo tomaram coragem para montar a própria banda. O grupo estreou na Expoarte 81, realizada na Universidade de Brasília, e naquele mesmo ano dividiu o palco com a lendária Aborto Elétrico, durante um show realizado em Goiânia. &quot;Foi o pessoal do Aborto quem abriu o caminho para nós e outros grupos&quot;, reconheceria o próprio Murilo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&quot;Este é o primeiro show que a gente faz com uma produção bem cuidada&quot;, anunciava o guitarrista da 69, em entrevista a Irlam Rocha Lima, do Correio Braziliense. &quot;A gente vem trabalhando em cima de tudo. Com a ajuda do poeta Nicolas Behr, criamos um cenário, que tem ao fundo um muro pichado. Com a ajuda de dois estudantes de Comunicação da UnB, produzimos um filme de 25 minutos de duração, que é uma espécie de história do grupo. Esse filminho será exibido&quot;. No repertório do quarteto, clássicos do grupo: Maria Gasolina, Precisa-se e Doido Varrido, além de covers dos eternos Beatles.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A apresentação levantou a carreira da Banda 69, que passaria a ser uma das mais atuantes bandas da cidade. Logo o grupo estaria dividindo a atenção de crítica e público, tentando cruzar o Brasil três anos depois com um disco lançado pela CBS e que teria a participação de Herbert Vianna em uma faixa.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ao lado da 69, quatro promessas de revolução estética ousariam trazer a palavra punk para o entediado cotidiano candango. &quot;Fomos ensinados a consumir o que vem de fora e se hoje somos o que somos, não é culpa nossa&quot;, resumia um ingênuo e juvenil Renato Russo ao atento Irlam, que não teve dúvidas: tascou o movimento em reportagem publicada pelo Correio no dia 22 de abril, sob o título &quot;Os punks também estão chegando. Eles vão abrir a Temporada de Rock&quot;.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Renato mandou ver, traçando um panorama do que passava pela cabeça da molecada que estava por vir a atacar o país de maneira visceral: &quot;Toda a nossa geração aprendeu a gostar de Beatles, Stones, filmes americanos e coca-cola. Além disso, quando a gente começou a curtir música brasileira, Caetano Veloso estava exilado em Londres e Gal Costa cantava em inglês ‘Oh my eyes, we're looking for flying saucers in the sky...’, e tudo que era nacional e dirigido aos jovens era modelo importado&quot;.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Renato vinha do Aborto Elétrico e acabara de formar a Legião ao lado de Marcelo Bonfá. O duo tinha como parceiros de jornada os amigos Eduardo Paraná, guitarrista egresso do grupo Boca Seca, e o tecladista Paulo Paulista. Em dezembro de 1982, com essa formação, a Legião abriu o show para a carioca Blitz (Você não soube me amar era hit em 1982), no Clube dos Servidores. Os dois amigos saíram pouco tempo depois, dando lugar a Ico Ouro Preto, irmão de Dinho, que amarelou e não consigou segurar a onda. Dado entrou faltando duas semanas para o show da ABO. Uma estréia promissora.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O show da Legião foi o marco. Para mim, que assisti ao show meio sem entender nada, ao lado de um amigo cabeludo, foi um choque. Renato tinha empatia instantânea com o público e dominava a cena sem problemas. Logo de cara, a guitarra de Dado deu pane, e Renato nem teve dúvidas. Improvisou com o público, atacando um mantra maluco, a quem ele sempre recorria, desde os tempos do Aborto, chamado ‘Adhan’. Consistia num rock quatro por quatro, básico, em que o público gritava &quot;adhan&quot;, progressivamente, sob o comando do carismático líder da Legião. A íntegra deste show da banda de Russo você encontra &lt;a href=&quot;http://rapidshare.de/files/32032369/LegiaoABO.zip&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Apesar de ser a Legião, a banda mais importante a subir no palco da ABO era, na verdade, a Plebe Rude. O grupo surgira dois anos antes, quando André largara Os Metralhaz e juntou-se a Philippe Seabra, líder do finado Caos Construtivo. Os dois formaram com Gutje, ex-Blitx 64, a banda. Segundo a lenda, repetida pelo baterista na conversa com Irlam, o vocalista Ameba foi convocado numa festa. &quot;Ele estava bêbado, com um copo de gim na mão e cantando&quot;, escreveu o jornalista. &quot;Marginalizados porque são roqueiros e ainda mais porque curtem o lance do punk, o pessoal da Plebe Rude está indo à luta. Agora cheio de esperança, com a descoberta do rock pelo mercado de disco no Brasil&quot;.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ao lado das duas bandas irmãs, estavam o Capital Inicial e o XXX. Os dois grupos mal começavam a andar com as próprias pernas. A banda nova dos co-fundadores do Aborto, os irmãos Fê e Flávio Lemos, tinha estreado pouco tempo antes, numa festa promovida no ateliê do Departamento de Arquitetura da UnB. Enquanto o XXX era o embrião da Escola de Escândalos, ainda sem a guitarra endiabrada de Fejão e a batida correta de Balé. No lugar dos dois, atuavam Jeová Stemler e Alessandro. O grupo tinha recém feito uma apresentação no Brasília Urgente, programa da extinta TV Brasília.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;As apresentações tornaram-se lendárias. Nem tanto pelo som, mas pelo que todas essas bandas se transformariam anos depois. Meninos, eu vi! Foi demais.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Olímpio Cruz Neto&lt;br/&gt;</description>
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