Sons da Escrita
• José António Moreira •
Sons da Escrita
• José António Moreira •
SE228
6 de Junho de 2009
Terceiro programa do ciclo OTÍLIA MARTEL
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Rompe a manhã. Há cheiro a rosmaninho,
a lilases e a rosas, minha amiga,
e a terra, respirando de mansinho,
fez abrir um poema em cada linha.
Aqui bem perto canta um passarinho,
e cantará até ao sol se pôr.
Que perfume tão doce neste caminho,
que alegria e que luz sarando a dor!
Os teus olhos cheios de beleza
fizeram esta manhã maravilhosa,
que enche tudo de luz
e tudo encanta.
E chego a crer que a própria natureza
fez abrir nos teus lábios uma rosa,
e te colocou música na garganta.

Morning has broken, like the first morning.
Blackbird has spoken, like the first bird.
Praise for the singing, praise for the morning,
Praise for them springing fresh from the Word.
Sweet the rain's new fall, sunlit from heaven.
Like the first dewfall, on the first grass.
Praise for the sweetnes of the wet garden,
Sprung in completeness where His feet pass.
Mine is the sunlight, mine is the morning.
Born of the one light Eden saw play.
Praise with elation, praise every morning;
God's recreation of the new day.
Morning has broken, like the first morning.
Blackbird has spoken, like the first bird.
Praise for the singing, praise for the morning,
Praise for them springing fresh from the Word.

Olha-me bem, amor, olha-me assim,
com a ternura desse olhar profundo,
como clarão astral dum novo mundo
em que meu olhar se perdeu em ti.
Algas verdes de um mar que não tem fundo,
esse olhar são as flores do jardim
do meu amor, do grande amor fecundo,
que encontras a chorar dentro de mim.
Não sentes tu a magia de um beijo meu
quando docemente fito os olhos teus
que o amor é grande como um oceano?
E quando morre o sol e a noite vem
escuto o silêncio e a voz do tempo
e a dor que a minha alma tem.

Look at me
Who am I supposed to be?
Who am I supposed to be?
Look at me
What am I supposed to be?
What am I supposed to be?
Look at me
Oh my love, oh my love
Here I am
What am I supposed to do?
What am I supposed to do?
Here I am
What can I do for you?
What can I do for you?
Here I am
Oh my love, oh my love
Look at me, oh please look at me, my love
Here I am
Oh my love
Who am I?
Nobody knows but me
Nobody knows but me
Who am I?
Nobody else can see
Just you and me
Who are we?
Oh my love, oh my love, oh my love

O dia morre… E a terra escurecendo
diz ao céu que vele o nosso dormir,
e os nossos olhos docemente adormecem a sorrir.
As estrelas começam a luzir
com a luz hesitante e mal segura
que prenuncia a noite que há-de vir.
É a voz do silêncio a murmurar
palavras de sonho à natureza
pelas vozes dos anjos a balbuciar.
E tudo dorme, tudo sonha docemente
numa tranquilidade indefinida.
A alma, o corpo, sonham… calmamente.
Vem muito longe a luz da madrugada,
e as estrelas, como visões deslumbrantes,
são pontos distantes na noite sossegada.

When the evening falls and the daylight is fading,
from within me calls - could it be I am sleeping?
For a moment I stray, then it holds me completely.
close to home - I cannot say.
close to home feeling so far away.
As I walk the road there before me a shadow
from another world, where no other can follow.
carry me to my own, to where I can cross over...
close to home - I cannot say.
close to home feeling so far away.
Forever searching; never right, I am lost
in oceans of night. Forever
hoping I can find memories.
those memories I left behind.
Even though I leave will I go on believing
that this time is real - am I lost in this feeling?
like a child passing through, never knowing the reason.
I am home - I know the way.
I am home - feeling oh, so far away.

Quase perfeito
o momento
que nunca doeu.
Quase perfeita
a onda suave
que te envovlveu.
Quase perfeito
o sonho branco
que se perdeu.
Quase perfeita
a palavra chave
que nunca nasceu.
Música:
Genérico – David Spillane (abertura e fecho), Beatles (Fecho)
Fundos – Andreas Vollenweider, Dancing Fantasy, Johnny Voorbogt
Ligações – Cat Stevens, John Lennon, Enya
Textos: Otília Martel
Edição e voz: José-António Moreira
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And in the end
the love you'll take
is equal to the love you make
Compasso a compasso, palavra a palavra, alinham-se, rigorosos, os sons da escrita.
Quando um homem interroga a água pura dos sentidos e ousa caminhar, serenamente, os esquecidos atalhos de todas as memórias, acontecem viagens — viagens entre o quase tudo e o quase nada.
Então, da raíz dos nervos da memória surge a planta de uma vida escutada no silêncio dos sons da escrita.
Sons da Escrita – à volta de uma ideia de José-António Moreira
Leitura emotiva • Genérico