estrangeiros, pintadas artesanalmente ou impressas tipograficamente, abundam – quase como um emblema de pertença religiosa – não apenas nas igrejas, mas nas casas particulares, nos carros, camionetas, em espaços públicos, etc..
As pinturas populares que ilustram a lenda da rainha do Sabá não são objectos únicos. O mesmo princípio de sequencialidade narrativa pode ser encontrado em vários outros tipos pictóricos que comecei também a coleccionar: quadros representando a guerra de conquista do muçulmano Ahmed bin Ibrahim Grañ (o “canhoto”) e o martírio do filho do explorador português Vasco da Gama, Cristóvão, a batalha de Adwa que opôs etíopes e italianos em 1896 (celebrada como a primeira vitória africana contra os poderes coloniais europeus), a vida do imperador Tewodros e sua morte após a derrota em Magdala contra um corpo expedicionário anglo-indiano, etc. Alguns dos quadros que comprei são pastiches de fraca qualidade, para venda aos poucos turistas que visitam a Etiópia. Mas, à medida que explorava os cantos das lojas de “antiguidades” e as lojas e estúdios de pintura, comecei a encontrar peças mais delicadas, e com um maior poder de sedução estética.
de cima para baixo. Recorrem à mesma gramática visual que os frescos das igrejas ortodoxas: importância do olhar; oposição entre representação de face no caso dos personagens “benéficos”, e de perfil no caso dos personagens “malignos”; uso de cores planas, delineação de contornos a negro, etc.. São também, habitualmente, pouco permeáveis a técnicas de representação assentes na definição de pontos de fuga e outros esquemas de criação de ilusões de perspectiva e tridimensionalidade.