Todo santo dia, chova ou faça sol. Independente da temperatura, da maré, das fases da lua. Quando o sol se põe e o céu começa a ficar escuro, grupos de pequenos pinguins de repente surgem do meio das ondas, parece até que trazidos por elas. São dez, doze, vinte de uma vez. Apesar dos holofotes acesos na praia de Philip Island e da multidão que vem todos os dias para vê-los. Apesar da gritaria das crianças pequenas, e daquele oooh coletivo da turistada japonesa. Apesar do complexo turístico de passarelas, arquibancadas, lojinhas e restaurantes construídos para explorar e admirar esse ritual infalível, os pinguins continuam vindo. Custa uns AU$20 por pessoa, e você pode (deve) comprar antecipado pela Internet. Nessa época do ano, é recomendado chegar lá perto das 8 da noite para pegar um bom lugar. Que descobrimos ser um critério absolutamente aleatório. Ali você fica uma hora sentado esperando, e o vento que bate na praia começa a virar uma marreta de gelo na cabeça. A lojinha fatura alto com casacos e cobertores adquiridos de última hora. Especialmente no caso de turistas desavisados ou metidos a machões como moi. Arreguei e comprei um casaco que nem cabe na mala. Só mesmo um imbecil para não entender que onde tem pinguim, bem provavelmente tem frio. Ok. Bem, são 9 da noite e os Rangers (policiais australianos) vão ali na frente, dão umas explicações rápidas, respondem perguntas de crianças afobadas e gesticulam para a turistada japonesa que parece não entender nem placa de trânsito. Os Rangers pedem em inglês e japonês para não encostar nos pinguins, não fotografar, não correr e nem gritar. 9:08 sai o primeiro grupinho do mar. Eles lutam com as ondas, especialmente as que voltam, até conseguirem chegar na areia mais dura. Engraçado que enquanto o último não está seguro, firme, o grupo fica parado, esperando. Finalmente, eles entram praia adentro passando do seu lado, em direção provavelmente às suas casas, onde seus filhos (pinguins de moleton cinza) berram feito ambulâncias, talvez de fome, ou só para serem encontrados mesmo. Imagine o que são 1200 pequenos pinguins, passando por baixo das passarelas, no meio do mato, em pequenos corredores de areia. Você vai seguindo por caminhos bem sinalizados e com só um pouco de luz, para não incomodar os bichos. Alguns às vezes parecem meio perdidos. Param, pensam, se coçam, daí continuam pro outro lado provavelmente lembrando o endereço correto. É sensacional, é incrível, e obrigatório para crianças. Infelizmente essa foi uma das poucas fotos que pudemos fazer da Penguin Parade. Mas ok, porque vai mesmo ser mesmo muito difícil esquecer aquelas imagens.