Praia, que praia?
 
Não sei o que há de errado com a praia de Melbourne. Pra começar não há uma única placa escrito beach com uma seta na cidade inteirinha. Outra, é que todo mapa mostra o centro, as lojas, o caminho do bonde e acabou. Nada de praia, nem menção honrosa. Parece que eles não querem que você vá lá. Mesmo assim, os três camelos turistas, sem almoço nem água, foram procurar o mar. Que bonito, que romântico. Lá foram eles, sem mapa (esqueceram), nem sorte. Meia hora esperando um bonde, que nos deixou em St. Kilda Beach. Nessa cidade Beach se referia não à praia, mas a uma cadela. A mãe do prefeito. Descemos no meio do nada, ou quase nada, a não ser pelas agência de publicidade locais. E anda. E anda. Uma hora depois, que pareciam nove, estávamos no meio de um gramado sem nada. Nem placa, nem calçada, nem árvores, nem humanos. Um caminhão/guincho apareceu lá longe no meio da poeira. Tão suspeito que preferimos nos esconder. Tardou, e muito depois de falhar, achamos um mini-túnel, por baixo dos trilhos do trem. Saímos num bairro residencial, por onde não passava um carro há meses, o que dirá um pedestre. Os cachorros das casas nem latiam, porque não imaginavam o que nós fôssemos. Onde estão os 3.5 milhões de habitantes de Melbourne era tudo o que queríamos saber naquela hora. Depois de mais de 10 quadras, chegamos na frente da praia. Ha! Aleluia! Quase 3 metros de largura de areia, e com ondas iguais ao do lago do Ibirapuera. Fazia uns 28 graus. Ninguém. Nada. Zero. Na minha vida, é a primeira vez que vejo uma cidade ignorar sua praia desse jeito (dizem que Barcelona era assim, mas mudou na ultima década). Tão deserta e desimportante que nos fez pensar. Será que a água era imprópria para banho? Cólera? Focos de dengue? Coqueluxe? Fogo Selvagem? Ou apenas coliformes fecais? Impossível saber. É a primeira vez que eu vejo terrenos baldios de frente para o mar, e por desinteresse, não por especulação imobiliária como no Brasil. Aliás se quiser vender uma casa na orla, o proprietário aqui tem que escrever “near the famous Albert Park” ou “City Tram stop not far”, ao invés do repelente “beach front”. Vai entender. Nessa hora decidimos que iríamos parar de querer adivinhar o que se passa na cabeça desse loucos, e acenar rápido para um taxi. Que por sinal tem a direção do lado errado.
Thursday, January 11, 2007
Praia. Melbourne. Meio-dia, quase 30˚C.