Você está em Sydney e tem um vôo marcado para 10:30 da manhã. Por ser uma segunda feira, você dorme perto do aeroporto só para ter certeza que não cairá nas armadilhas do trânsito. Especialmente quando todo mundo dirige do lado errado da rua. Daí, reserva uma noite num Mercure, que como diz meu irmão Tio Juca, se você tiver a oportunidade de ficar, perca. Puído, surrado. O staff, coitado, até que fazia força. Descobri por exemplo, que o bellboy era de Bangladesh e lá, todo mundo é louco por futebol. O país é dividido ao meio: de um lado torcem para o Brasil, do outro, Argentina. Ele animado, citou Kaká e Ronaldo (ainda), acho que só para levar uma caixinha maior. Levou. Mas voltando ao hotel. As placas de proibido fumar estavam em todas as portas dos quartos, mas acho que só era proibido fumar encostado nelas. No resto do hotel, beleza. Meu travesseiro tinha cheiro de bituca. Tive a impressão até de ver crianças com dois, três cigarros na mão, não sei. Pelas manchas no carpete do nosso dormitório (claro, quarto é outra coisa) haviam matado um cágado ali, e nem garanto que acentuado dessa forma. Um horror. Tudo para garantir que às 8:30 estivéssemos no Aeroporto para o check-in da LanChile. Que mudou e agora é Lanjor. Ou Lan. Deve ter piorado também. Chegamos na hora, fizemos o check-in rapidinho e voilá. As 9 em ponto já sabíamos que o vôo só sairia às 14:30. O que fazer? Com 4 sólidas horas parar dar uma última passadinha em Sydney, uma última olhadinha na ponte, no Opera House, nos animamos. Corremos para pegar um taxi. Que aqui numa segunda-feira, é como dizer em julho na Disney, “corremos para a Space Mountain”. Filas imeeensas daquelas que vão e voltam, iguais mesmo às da Disney. Bah. Volta todo mundo. Agora com sólidas 5 horas e meia para enrolar até o embarque para Auckland. Ficar no aeroporto tanto tempo é um desafio ao bonsenso. Claro, tem mil e quatrocentas lojinhas de cd, souvenirs, perfumes, starbucks, livraria, rip curl, nike, duty free, starbucks de novo, praça de alimentação. Você acaba almoçando duas vezes sem querer, e comprando coisas impossíveis de carregar, e que certamente você poderia viver sem. Acho que é por isso que perguntam o número do vôo quando você está comprando: comissão. Só pode ser. Daí você tenta fazer outra coisa. Por exemplo, o aeroporto oferece internet grátis em alguns quiosques, que quando funcionam, tem um mochileiro morando na frente, há dias, barbudo, sem previsão para levantar. Acho que nem para ir ao banheiro. Resolvi pagar para entrar na rede wireless da YesOptus! que até que funciona, menos para mandar email, usar o iChat ou fazer o upload deste blog. Ou seja, quase nada. Ou então você fica na porta das salas de embarque vendo as despedidas, a choradeira. Longos grupos de paquistaneses. Famílias de havaianos imensos, em prantos. Entretenimento puro. Quando você vê, faltam apenas mais 3 horas. O cara que fizer um cineminha no aeroporto enriquece. Custou, mas às 14:30 estávamos no avião, e tudo o que a tripulação da LanChile dizia, vinha acompanhado de “sorry for the delay” como se fosse “câmbio”. No fim, decolamos, deu tudo certo. Atrasos, às vezes acontecem. Mas ficamos imaginando o que o pessoal que tinha passagens da TAM no fim do ano, passou. E naqueles aeroportos que a gente conhece. Dureza.